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domingo, 01 agosto 2021
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Mês do orgulho LGBTQIA+: um pouco da literatura queer

Junho é o mês do orgulho LGBTQIA+. E, apesar de sabermos que o Brasil não é um dos países mais receptivos deste grupo, já que mesmo durante um ano de pandemia, os crimes contra pessoas LGBTQIA+ aumentaram em 108%, sabemos também que não podemos resumir qualquer identidade a números e atrocidades. Como diz Pablo Vittar na canção do álbum AmarElo, de Emicida: “Achar que essas mazelas me definem é o pior dos crimes. É dar o troféu pro nosso algoz e fazer nóiz sumir”

E sabemos que estas atrocidades seguidas de silenciamento são ainda maiores quando há um acúmulo de opressões. Inclusive envolvendo a própria Pablo Vittar, que já esteve em polêmicas com o cantor e compositor Rico Dalasam. E por isso sabemos da importância de se conhecer e reconhecer diferentes lutas e seus espaços, como o documentário sobre a morte e vida de Marsha P. Johnson, que explica até o motivo da escolha do mês de junho para celebrar. Mas também reconhecemos a importância da celebração em vida. Por isso, indicaremosa obra de 3 autores queer logo abaixo.

3 podcasts comandados por mulheres

Água Doce, de Akwaeke Emezi

Água doce | Amazon.com.br
Água Doce, de Akwaeke Emezi. (Foto: Reprodução)

Com uma linguagem crua e física, narrada majoritariamente na primeira pessoa do plural – Nós –, a obra renega a possibilidade de um “eu” único e uniforme, celebrando e advertindo sobre a vida em espaços liminares. Ada sempre foi estranha. Quando criança, vivendo no sul da Nigéria, a família se preocupava com ela e não a entendem. Enquanto Ada ainda estava no ventre, o pai rezou por uma filha, e Ala, a deus-píton, ouviu; mas algo não correu conforme o esperado, pois Ada nasceu com diversos seres dentro de si.

Akwaeke Emezi é artista e escreve com base em espaços liminares. Emezi se identifica como uma pessoa não-binária e a obra que produz está centrada na metafísica do espírito negro e usa vídeos, perfomances, escrita e esculturas para criar rituais.

Fome, de Roxane Gay

Fome - Uma Autobiografia Do (Meu) Corpo - Saraiva
Fome, por Roxane Gay. (Foto: Reprodução)

Nesta autobiografia escrita com sinceridade impressionante, a autora best-seller Roxane Gay fala sobre como, após sofrer um abuso sexual aos doze anos, passou a utilizar seu próprio corpo como um esconderijo contra os seus piores medos. Ao comer compulsivamente para afastar os olhares alheios, por anos Roxane guardou sua história apenas para si. Até conceber este livro. Esta não é uma narrativa bem-sucedida de perda de peso. E este também não é um livro que Roxane gostaria de escrever. Entretanto, é uma história que precisa ser contada, e ela o faz com seu estilo contundente e impetuoso, ainda que dotado de um humor mordaz, características que a tornaram uma das vozes mais marcantes de sua geração. “Fome” é um relato ousado, doloroso e arrebatador.

Sobre a terra somos belos por um instante, de Ocean Vuong

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Sobre a terra somos belos por um instante, de Ocean Vuong. (Foto: Reprodução)

Sucesso de público e aclamado pela crítica nos Estados Unidos o romance de estreia do poeta Ocean Vuong é um retrato devastador de uma família, um primeiro amor e o poder redentor da narrativa. Sobre a terra somos belos por um instante é uma carta de um filho para uma mãe que não sabe ler. Escrita quando o palestrante, Cachorrinho, está com quase 30 anos, a carta desenterra uma história de família que começou antes dele nascer e morar nos Estados Unidos – uma história cujo epicentro está enraizado no Vietnã – e serve como uma porta de entrada para partes de sua vida que sua mãe, que carrega cicatrizes da guerra, nunca teve conhecimento, com direito a uma revelação inesquecível. Ao mesmo tempo um testemunho do amor intenso e inegável entre uma mãe solteira e seu filho, é também uma exploração brutalmente honesta sobre raça, classe e masculinidade.Com surpreendente urgência e graça, Ocean Vuong escreve sobre pessoas presas entre mundos díspares e pergunta como podemos curar e resgatar uns aos outros sem abandonar quem somos.

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